Renascimento, impressão e astronomia
Publicado por WDreamers · Texto alterado em 23/08/2026. Método e critérios editoriais
A imprensa mudou a escala de circulação de textos astrológicos. Tabelas, efemérides, almanaques e tratados puderam alcançar muito mais leitores do que um manuscrito copiado à mão. Ao mesmo tempo, o Renascimento recuperou textos antigos em grego e produziu novas traduções, permitindo comparar versões que antes circulavam principalmente por intermediários árabes e latinos.
Astrologia e astronomia ainda compartilhavam profissionais e instrumentos. Regiomontanus produziu trabalhos astronômicos e tabelas usadas por astrólogos. Tycho Brahe e Johannes Kepler praticaram astrologia em graus diferentes, embora Kepler criticasse muitos elementos da tradição e tentasse reformular sua base física e harmônica.
A revolução copernicana não encerrou a astrologia de uma vez. Um modelo heliocêntrico para explicar o movimento planetário podia coexistir, na prática astrológica, com coordenadas geocêntricas usadas para descrever como o céu aparece a partir da Terra.
Essa coexistência é importante porque o mapa astrológico continua sendo uma projeção observacional centrada no lugar do observador. Aceitar que a Terra gira em torno do Sol não torna inúteis coordenadas geocêntricas para descrever nascer, culminação, horizonte ou posição aparente. A ruptura intelectual ocorreu por outros debates, não por um simples erro de “colocar a Terra no centro”.
O cálculo ficou melhor antes de a prática perder prestígio
Nos séculos XVI e XVII, a precisão astronômica aumentou. Novas observações, modelos e tabelas permitiam posições mais confiáveis. Paradoxalmente, foi justamente nesse período que a astrologia começou a perder espaço em algumas instituições intelectuais.
As razões são múltiplas: mudanças na filosofia natural, novos critérios de prova, disputas religiosas, transformações universitárias e a própria redefinição da astronomia como disciplina separada.
Ainda assim, a prática não desapareceu. Almanaques, prognósticos, medicina e astrologia popular continuaram circulando. A história não mostra uma ruptura limpa entre uma “era astrológica” e uma “era científica”. Por muito tempo, velhas e novas formas de conhecimento coexistiram.